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Meu mundo...

Marli Costa

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6/27/2009

Sofro por ti


                   Sofro por ti

                                Porque um dia te conheci!

                               Sofro por ti

                               Pelo oceano que nos separa!

                               Sofro por ti!

                               Porque somente posso escutar a tua voz,

                               doce e melodiosa!

                               Sofro por ti!

                               Porque jamais poderei abraçar-te e beijar-te

                               com toda a minha alma!

                               Sofro por ti!

                               Por este  amor irrealizável!

                               Sofro por ti!

                               Porque... um dia te conheci!!!

 

                                                                     Adriano 24/06/09   

6/20/2009

O que eu sei...

    
O que eu sei é que estou sofrendo
e que a tua  lembrança continua
como um trilho, por onde roda inútil minha vida,
sem outro rumo.

Já não adianta querer libertar-me.
As fugas para outros amores
são desencontros contigo.
Estás sempre como a borra dos velhos vinhos
no fundo das taças.

Nem adianta embriagar-me. Então voltas
com o ímpeto
da liberdade
e irrompes no coração
(de repente esquecido de todas as conveniências),
a gritar por teu nome como quem grita por socorro.


(J.G. de Araujo Jorge)

Quando chegares...


Não sei se voltarás
sei que te espero.

Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.

A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé...

Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...

( JG de Araujo Jorge)
6/5/2009

A Voz do Silêncio



Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem

Martha Medeiros
5/29/2009

Hoje estou triste


Amor... Hoje estou triste... Nesses dias
a vida de repente se reduz
a um punhado de inúteis fantasias...
... Sou uma procissão só de homens nus...

Olho as mãos, minhas pobres mãos vazias
sem esperas, sem dádivas, sem luz,
que hão semear vagas melancolias
que ninguém vai colher, mas que compus...

Amor, estou cansado, e amargo, e só...
Estou triste mais triste e pobre do que Jó,
- por que tentar um gesto? E para quê?

Dê-me, por Deus, um trago de esperança...
Fale-me, como se fala a uma criança
do amor, do mar, das aves... de você!


  ( JG  de Araujo Jorge )

Angústia

 

Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza !
Oh, a transcendente poesia
que verso algum traduz...

A via-láctea, inteiramente acesa
parece a fotografia
de um tufão de luz !

- Quem seria,
quem seria
que pregou lá no céu aquela imensa cruz?

Que infinita serenidade...
Que infinita serenidade misteriosa
nesse infinito azul dos céus e em tudo mais:
nos telhados, nas ruas, na cidade...

( Só os gatos gritam na noite silenciosa
sensualíssimos ais !)

Meu Deus, que noite calma... E aquela trepadeira
feminina e ligeira
veio abrir bem na minha janela
uma flor - como uma boca rubra e bela
que não terei...

- E ainda sinto nos lábios um travo nauseante
do amor que faz bem pouco, há apenas um instante,
paguei...

E o céu azul assim... E essa serenidade!
Silêncio- A noite, o luar ... Tão claro o luar lá fora...
Juraria que há alguém, não sei onde que chora...

Oh, a angústia invencível que me prostra
invade
e me devorar ...

(JG de Araujo Jorge)

5/15/2009

Escuta...

 

 

Escuta, amor, escuta a voz que ao teu ouvido
Te canta uma canção na rua em que morei,
Essa soturna voz há de contar-te, amigo
Por essa rua minha os sonhos que sonhei!

Fala d’amor a voz em tom enternecido,
Escuta-a com bondade. O muito que te amei
Anda pairando aí em sonho comovido
A envolver-te em oiro!… Assim s’envolve um rei!

Num nimbo de saudade e doce como a asa
Recorta-se no céu a minha humilde casa
Onde ficou minh’alma assim como penada

A arrastar grilhões como um fantasma triste.
É dela a voz que fala, é dela a voz que existe
Na rua em que morei… Anda crucificada!

Florbela Espanca

5/10/2009

Resumo...



O tempo... A vida... A morte...
O que são diante do incompreensível
Da irracional conspiração do desejo?

É tudo tão silencioso e confuso
Como o primeiro encontro de um olhar
A tristeza absoluta estuprada
Na urgência da alegria
Que não cabe no estreito da razão

Segredos que se traduzem no silencio
De palavras perdidas no eco da emoção
Faíscas de almas que comungam
Em agudo estado de felicidade
Ofuscando estrelas

Tudo que desejo é embriagar-me
Do pecado que escorre da tua boca
Perder-me no inconsciente espontâneo
Esvaziando-me de todos os meus excessos
Na doce loucura de teus lábios

Difícil falar de coisas que não podem ser ditas
De ausências nunca antes sentidas
Da cor do teu cheiro... Do cheiro da tua voz
Do som da tua pele... Do arrepio de teus pelos
Da dor de uma saudade do que antes não existia

O que é a morte... A vida... O tempo?
Quando eu simplesmente te amo...
... E tudo se traduz em você

(AlexSimas)
5/2/2009

Quero

 

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.


 Carlos Drummond de Andrade
4/25/2009

Desejo a você...

 

"Desejo, primeiro, que você ame, e que, amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer. E que, esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo também que tenha amigos, ainda que maus e inconseqüentes.
Que sejam corajosos e fiéis, e que pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha adversários.
Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes,
você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo, depois, que você seja útil, mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda, que você seja tolerante, mas não com os que erram pouco,
 porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.
Desejo  que você, sendo tão jovem, não amadureça depressa demais,
e que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer,
e que, sendo velho, não se entregue ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor,
e é preciso deixar que aconteçam no tempo certo.
Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo, mas apenas um dia.
E que nesse dia descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, com a máxima urgência, acima e a respeito de tudo,
que existem  oprimidos  e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda, que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
erguer triunfante seu canto matinal porque, assim, você se sentirá bem por pouca coisa.
Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja,
e acompanhe o seu crescimento, para que saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, por que é preciso ser prático.
E pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "isso é meu",
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você,
mas que, se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo, porfim, que você, sendo homem, tenha uma boa mulher,
e que sendo mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda  haja amor para recomeçar.

Pense nisso! ".
 
Baseado em poema de Victor Hugo.
4/19/2009

Querer-te...

 


Te peço apenas...
Que me deixe te amar
Algemei meu coração ao teu, sou agora
Prisioneiro das tuas correntes de paixão.

Te peço apenas...
Que deixe adentrar-te
Não apenas tua carne, mas tua alma
Aquietar em tua luz minha solidão.

Te peço apenas...
Que me permitas andar
Por teus caminhos, passear entre tuas
Loucuras sem roubar-te a liberdade.

Te peço apenas...
Uma réstia de teu brilho
Um pedaço de arco-íris, para iluminar,
Colorir as sombras de minha saudade.

Te peço apenas...
Uma fotografia pequena
Para alimentar meus olhos famintos
Tatuando tua imagem em meus sonhos.

Te peço apenas...
Um tênue beijo roubado
Saciar-me do vicio que tenho de você
No perfume que exala de tua pele.

Te peço apenas...
Um bocadinho de você
Um breve momento de teu tempo
Fará feliz todo o meu viver...

(Alex Simas)

 
 
4/11/2009

Desencontros!!!

 
Na areia pegadas...
Na vida tempo de esperas...
Horizontes que longe se encontram...

Noites de estrelas isoladas...
Lua que se esconde e chora...
Passos que não mais se encontram...
Palavras desencontradas...

E neste desencontrar...
Meu verso se cala...
Não veras mais nada...
Nem de mim...
Nem do fim...
Que não teve fim...
Vania Staggemeier

 
4/10/2009

Os meus versos.

 

Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…

Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…

(Florbela Espanca)

4/5/2009

Canto integral do amor.



Cegos os olhos, continuarias de qualquer forma,. presente,
surdos os ouvidos, e tua voz seria ainda a minha música,
e eu mudo, ainda assim, seriam tuas as minhas palavras.

Sem pés, te alcançaria a arrastar-me como as águas,
sem braços, te envolveria invisível, como a aragem,
sem sentidos, te sentiria recolhida ao coração como
o rumor do oceano nas grutas e nas conchas.

Sem coração, circularias como a cor em meu sangue,
e sem corpo, estarias nas formas do pensamento
como o perfume no ar.

E eu morto, ainda assim por certo te encontrarias
no arbusto que tivesse suas raizes em meu ser,
- e a flor que desabrochasse murmuraria teu nome.

 

J. G. de Araújo Jorge

3/28/2009

Quando o amor acenar...

 

 

Quando o amor acenar, siga-o ainda que por

caminhos ásperos e íngremes.

E quando suas asas o envolverem, renda-se a

ele ainda que a lâmina escondida sob suas asa possa feri-lo.

E quando ele falar a você, acredite no que ele

diz ainda que sua voz possa destroçar seus

sonhos, assim como o vento norte devasta o jardim.

Pois, se o amor coroa, ele também o crucifica.

Se o ajuda a crescer, também o diminui.

Se o faz subir às alturas e acaricia seus ramos

mais tenros que tremem ao sol, também o

faz descer às raízes e abala sua ligação com a terra.

Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.

Debulha-o até deixá-lo nu.

Transforma-o, livrando-o de sua palha.

Tritura-o, até torná-lo branco.

Amassa-o, até deixá-lo macio e, então,

submeta-o ao fogo para que se transforme em

pão, no banquete sagrado de Deus.

Todas essa coisas pode o amor fazer para que

você conheça os segredos de seu coração e,

com esse conhecimento, se torne um

fragmento do coração da VIDA.

 

Khalil Gibran 

3/21/2009

Inconfesso Desejo

 

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo

 

Carlos Drummond de Andrade

3/16/2009

Gostaria


Queria compartilhar contigo os momentos mais simples
e sem importância.
Por exemplo:
sair contigo para passear, sentir-te apoiada em meu braço,
ver-te feliz ao meu lado
alheia a todo mundo que passasse.

Gostaria de sair contigo para ouvir música, ir ao cinema,
tomar sorvete, sentar num restaurante
diante do mar,
olhar as coisas, olhar a vida, olhar o mundo
despreocupadamente,
e conversar sobre "nós" – esse "nós" clandestino
que se divide em "tu e eu"
quando chega gente.

Encontrar alguém que perguntasse: "Então, como vão vocês?"
E me chamasse pelo nome, e te chamasse pelo nome
e juntasse assim nossos nomes, naturalmente,
na mesma preocupação.

Gostaria de poder de repente te dizer:
Vamos voltar pra casa...
( Como se felicidade pudesse ser uma coisa
a que tivéssemos direito como toda gente)
Queria partilhar contigo os momentos menores
da minha vida,
porque os grandes já são teus.

(JG de Araujo Jorge)

3/4/2009

Ausência...Vento...

 

 

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mário Quintana

 

2/28/2009

Estamos com Fome de Amor

 

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e
transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam
sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que
estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os
novíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era
resolvido fácil, alguém duvída?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber
carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de
um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que
vão “apenas” dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa
marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a
carreira, a produção.
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como
voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão
distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de
relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como:
“Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada
“Nasci pra ser sozinho!” Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em
meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase
etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a
cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão
infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que
verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa
verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio,
démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer
ridículos, abobalhados, e daí?
Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e
falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo
pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou
muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca
mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à
dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que
se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais,
pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o
dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser
estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out,
que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me
aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou
outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu
não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo
resto da vida”.

-Antes idiota que infeliz!

(Arnaldo Jabor)

2/22/2009

Poema do Amor Perfeito

 

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

(Cecília Meireles)

2/21/2009

Despindo a Alma

 

Em tempos de tantas mulheres posando nuas...
Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade - emocionalmente.
Nudez pode ter um significado diferente..
Muito mais intenso é assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história.
É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo
sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.
Uma mulher que diz o que pensa o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos
- aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humano, e não bonecas de porcelana.
Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.
Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal, mas, difícil por difícil,
também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior.
Mas é o que devemos continuar fazendo.
Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos o que trazemos por dentro.
Não conheço strip-tease mais sedutor.

(Martha Medeiros)

2/14/2009

Tua Voz

 
 
 
Ouvir tua voz
não se compara
ao toque dos teus lábios em minha pele.
Só ouvir tua voz
não faz saciar a sede que tenho
do teu toque,
do teu beijo,
do ardor da tua paixão.
Ouvir tua voz
não mata a fome
de estar na quietude do teu colo,
de sentir o calor
do teu corpo sobre o meu,
não mata a saudade que tenho
do teu gozo,
do teu êxtase,
do teu amor.
 
(Lena Girad)
2/8/2009

Crônica do Amor

 

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer.
É a contingência maior de quem precisa.

(Arnaldo Jabor)
 
2/7/2009

Soneto do Amor Maior

 
 

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu,que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu,que quando toca,fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

 

( Vinícius de Moraes)

 

1/31/2009

Soneto

 

 

Amar-te- não por gozo da vaidade,

Não movido de orgulho ou de ambição.

Não à procura da felicidade,

Não por divertimento à solidão.

 

Amar-te - não por tua mocidade

-Risos, cores e luzes de verão-

E menos por fugir à ociosidade,

Como exercício para o coração.

 

Amar-te por amar-te: sem agora,

Sem ontem, sem futuro, sem mesquinha

Esperança de amor sem causa ou rumo

 

Trazer-te incorporada vida fora,

Carne de minha carne, filha minha,

Viver do fogo em que ardo e me consumo.

 

( Aurélio Buarque de Holanda)